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Ainda não está na hora de voltar a investir nos fundos de inflação

postado em 20 de mai de 2013 04:49 por Marco Aurelio Zoqui   [ 20 de mai de 2013 04:49 atualizado‎(s)‎ ]

20/05/13 - Nova bolha no mercado de ações dos EUA pode desvalorizar os papeis de longo prazo dos países emergentes.

O ouvinte mais antigo, sabe que durante muitos anos, ai mais de dez anos, eu defendi as aplicações de longo prazo no tesouro direto. As Notas do Tesouro Nacional que pagam uma correção pela inflação mais juros de fixos. Desde a última semana de janeiro, eu mudei a minha tática. De lá pra cá, esses papéis tiveram uma moderada queda nos valores de mercado. Isso então, prejudicou o rendimento dos fundos de inflação, que estavam se tornando muito populares no mercado bancário. Nas últimas semanas, esses fundos de inflação voltaram a trazer alegrias, voltaram a registrar ganhos. Será que chegou a hora de voltar a investir nesses fundos de inflação?

Eu acho que não. Pelo menos pra grande maioria dos aplicadores, que se chamam de conservadores. Eu sei que há muitos profissionais no mercado financeiro hoje, acreditando que a taxa de juros no mercado futuro, anda exagerada. Ela estaria acima daquela taxa que realmente o banco central vai aplicar, lá no final deste ciclo de alta da taxa SELIC. Muitos inclusive acreditam que existe uma oportunidade nesses papéis de longo prazo que poderiam se valorizar um pouco mais, caso o banco o central fique mais no discurso de atacar com rigor a inflação e menos naquela antiga prática de subir exageradamente a taxa SELIC. Essa é uma boa aposta, mas é só pra investidores profissionais. O risco de errar não é baixo. Além disso, há uma outra ameaça no horizonte. Talvez esteja se formando lá nos Estados Unidos uma nova bolha no mercado de ações. Mais cedo ou mais tarde o banco central americano vai ter que voltar a subir os juros, e neste caso os papéis de longo prazo de mercados emergentes, podem ficar menos atraentes, eles podem se desvalorizar. É uma ameaça ai de médio prazo, pode começar ai daqui a seis meses, daqui a um ano, ninguém sabe direito. Mas é bom o aplicador brasileiro de longo prazo colocar isso no seu radar também.

Conclusão: hoje eu prefiro no Tesouro Direto, as LFTs. Elas estão rendendo pouco mas acompanham as altas da taxa SELIC e são bem menos arriscadas. LFTs - Letras Financeiras do Tesouro. E nos bancos, eu prefiro aplicações com juros pós-fixados, curtos ai, menos de dois anos se possível com liquidez diária, pra eu poder mudar de ideia no meio do caminho.

Mauro Halfeld pra CBN


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Transcrição autorizada do podcast de Mauro Halfeld para CBN